Os Jogos Mundiais Nômades reúnem milhares de atletas em torno de esportes tradicionais das culturas nômades da Ásia Central. Entre arco e flecha a cavalo, luta tradicional e caça com águias douradas, há uma modalidade de força que o Brasil conhece bem, o cabo de guerra, e que agora leva a uma arena internacional. Toque em cada seção para abrir.
Os Jogos Mundiais Nômades (World Nomad Games) reúnem, a cada dois anos, milhares de atletas de dezenas de países em torno de esportes tradicionais das culturas nômades da Ásia Central e além. É um espetáculo de arco e flecha a cavalo, luta tradicional e caça com águias douradas. Entre as modalidades de força está o cabo de guerra, o tug of war.
A 6ª edição acontece em 2026, no Quirguistão, país-sede que fez a abertura da edição anterior. É nesse palco que o Brasil entra em campo.
O Quirguistão fica no coração da Ásia Central, encravado entre o Cazaquistão, a China, o Tajiquistão e o Uzbequistão. É um país de montanhas, com mais de 90% do território acima dos mil metros, e de uma cultura nômade viva que faz dele um dos palcos naturais dos Jogos.
Ex-república soviética, independente desde 1991, tem cerca de 7 milhões de habitantes e duas línguas oficiais: o quirguiz, de origem túrquica, e o russo. São cerca de 13 mil quilômetros entre o Brasil e a estepe.
Antes de ser um evento esportivo, os Jogos são uma celebração de um modo de vida. Por séculos, os povos das estepes viveram a cavalo, montaram acampamentos de yurts (as tendas redondas de feltro) e desenvolveram esportes que hoje parecem espetáculo, mas nasceram da vida real: da caça, da guerra, do pastoreio.
A caça com águias douradas, a montaria, o kok-boru disputado a galope: tudo isso é património cultural antes de ser competição. Entrar nessa arena é, para o Brasil, entrar num universo que quase não tem tradução no nosso repertório esportivo.
Águia e yurt. A caça com águias douradas e os acampamentos de tendas de feltro estão entre as imagens mais características da cultura nômade da Ásia Central.
O Brasil chega aos Jogos com 21 pessoas, a maior delegação brasileira já enviada aos Jogos Mundiais Nômades. O grupo reúne três frentes: o time de cabo de guerra, os atletas de alysh (luta tradicional) e a representação no toguz korgool (jogo de tabuleiro nômade).
A delegação cresceu a partir da idealização de Raony Osório, que concebeu o time de cabo de guerra após participar como visitante nos Jogos de 2024, em Astana. O projeto que começou com uma equipe se ampliou até formar a comitiva mais numerosa que o país já levou ao evento.
São atletas de trajetórias diversas, do powerlifting ao jiu-jítsu, do atletismo à preparação física, unidos por um mesmo objetivo: representar o país numa arena distante de tudo que o esporte brasileiro conhece, e abrir caminho para que as modalidades cresçam em casa.
O cabo de guerra parece simples: duas equipes, uma corda, força bruta. Na prática, é técnica, ritmo, posicionamento e disciplina coletiva. Cada puxada é coordenação pura: corpos agindo como um só, num duelo que se decide em segundos de tensão máxima.
Reconhecido internacionalmente e com federação própria, o tug of war tem regras precisas de peso, técnica e conduta. É disputado em três formatos, que exigem estratégias diferentes:
- 8×8A modalidade clássica. Oito atletas de cada lado. O formato tradicional e mais reconhecido do esporte, uma disputa de resistência coletiva com limite de peso por equipe.
- 4×4Formato reduzido. Quatro contra quatro. Menos massa na corda e mais peso na técnica individual: cada atleta responde por uma fração maior da força total.
- 1×1O duelo. Um contra um. Força, equilíbrio e leitura do adversário na forma mais direta e explosiva da modalidade.
A Associação Brasileira de Cabo de Guerra (BRToW) nasceu com uma missão clara: desenvolver o cabo de guerra como esporte de competição no Brasil e representar o país em eventos internacionais.
Reúne atletas de origens esportivas diversas, como powerlifting, jiu-jítsu brasileiro e atletismo, em torno de um compromisso comum com o esporte. Os Jogos Mundiais Nômades de 2026, no Quirguistão, são o primeiro grande objetivo internacional da entidade.
Dados institucionais a completar (CNPJ, diretoria, filiação à federação internacional) conforme a formalização avança.